sábado, 31 de maio de 2014

Uma modesta aula de história, já que eu me tornei a (ir)responsável na orquestra de mulheres pelos devaneios: a partir da segunda década do século XIX, os processos de independência latinoamericanas entram em suas retas finais ou são concluídos,ou no caso louvável do Haiti, já teriam sido realizados. A Inglaterra, concomitantemente, vive um período de auge especulativo da bolsa, isto é, aumenta a cotação das ações. Por que? Além da recente revolução industrial ter trazido algumas inovações tecnológicas que permitiram a catalisação do processo de acumulação primitiva, o governo britânico concedeu 17 bilhões
de libras esterlinas ao pagamento de exércitos para as guerras particularistas de independência e para abafar as exigências populares. Garantir o poder aos cabildantes, para assim criar relações diplomáticas que os permitissem explorar os recursos naturais locais. Se a localidade não tinha de interessante a oferecer aos olhos dos ingleses, só permaneciam sob o caráter de posição estratégica. Não é uma lógica exclusiva da América Latina: no Irã os diplomatas ingleses conduziram ao poder e transformaram um republicano em imperador, representante de Deus, o REza Shah, em troca do monopólio de exploração do petróleo e quando a guerra civil aconteceu, onde estavam os ingleses? Disputando espaço com os norte-americanos no mercado de armamentos.
Tudo isso para dizer o que? Ainda somos colonizados. Daqui a menos de um mês vamos sediar uma Copa de Futebol e sua principal defesa recai no argumento da atração dos investimentos estrangeiros que virão, cujo desenrolar já estaria previsto a dois séculos atrás: dependência econômica eterna em detrimento da população que além de literalmente pagar com seu trabalho para que os atuais cabildantes possam sentar a bunda em suas cadeiras de plástico, assegurado pelas centenas de Brigadianos que cercarão o estádio de que nenhum baderneiro vândalo vá atrapalhar seu entretenimento particularista.
O (neo)liberalismo crava seus dentes apodrecidos no Brasil. Não lembro que autor eu li esses tempos [como eu to fazendo um texto "despretencioso" e não um trabalho acadêmico não tenho que me preocupar com isso, porque alguém vai fazer por mim] que diferenciava o conceito moderno de pátria, cujas fronteiras são delimitadas, tradições (como a maioria delas) inventadas, impostas e hegemonizadas para agregar emocionalmente seus viventes em torno de um projeto específico de pretensos e exclusivos governantes e pátria, mater cujo chão depende-se para subsistência, cuja cultura oral, sonora e das práticas resiste adaptativamente, passada de geração em geração e não subjugada pelas imposições da globalização. Enfim, para concluir o pensamento, acho que boto muita fé nessa segunda concepção.

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