sábado, 29 de novembro de 2014

fuga número X

Vem que eu levo você até a ducha.
Deixa, bonita, eu lhe guiar.

Tiro suas roupas suadas
E lambo o sal do seu rosto de poeira do asfalto do centro
Com água que refresca sua mente funcional.

Fecha os olhos e escuta
O som dos ônibus no terminal,
Os sabiás que cantam sua primavera,
Os passantes subindo a ladeira.
As cigarras fazendo jogral

A luz do fim da tarde caindo entra pelo basculante.
E seu rosto se pinta de laranja

E nesse ambiente, que sem querer preparei.
Moldado pelos rituais do cotidiano
Massageio seus ombros, suas costas e afago seus seios
E descendo vou lhe apalpando até lhe afogar
Na torrente de sensações indefiníveis
Onde queria levar-lhe.

De um tempo à outro em que somos relógios.



Dizem as más línguas
Porque as boas preferem o silêncio.

sábado, 22 de novembro de 2014

Desespero

Você é uma pessoa ruim
Que busca em um suposto altruísmo
A cura dos seus defeitos

Não, eu não sou mais uma poesia sua,
Em um papel em que escreve, escolhe as palavras e mete no bolso do casaco.
Eu não aceito mais você me condicionando.

Quando eu comecei a questionar
As pessoas do meu entorno
Porque acreditava cegamente em você
Eu te questionei tanto, desde o início

E porque eu não conseguia aguentar
Ter de mentir pra todos do meu entorno -
enquanto o seu permanecia impecável -
E deslegitimar o relato de uma companheira
Porque você acreditava no de um homem
E me convenceu dele,
Aos poucos nele fui acreditando.

Agora pelas minhas próprias contradições
E as desse meu entorno,
Não volto para onde estava
"Onde não me alimenta."

Mas de lá perdi muita coisa
E outras me oferecesse como uma falsa recompensa
Falsas amizades, falsas compreensões
Falsa você. Contraditória você;

Agora eu entendo a confusão no meu cérebro
E entendo a minha revolta
E a minha agonia com a sua presença.

Quanto de lábia e argumentação
Você acrescenta à sua beleza física inegável
Para enganar?